terça-feira, 6 de janeiro de 2015
O Brasil
A ideia de que o pressuposto dominante acaba direcionando a percepção de muitos para bastante razoável, se atentarmos para alguns sinais desse fenômeno na história recente do Brasil. A mídia tem se esmerado em criar o pressuposto de que a corrupção é uma invenção do PT, do Lula e da Dilma. A revista Veja, de maneira criminosa, às vésperas da eleição, lançou uma edição do seu semanário afirmado que Dilma e Lula sabiam de tudo sobre a corrupção na Petrobrás. Se isso fosse verdade não se poderia negar que o governo era uma "organização criminosa" como chegou a afirmar o senhor Aécio Neves, candidato do atraso e dos conservadores da direita brasileira e derrotado no pleito. Ao agir de forma covarde e ao arrepio da boa conduta e da honestidade, a imprensa tem feito de tudo para que todo brasileiro pense que o governo Dilma é constituído de velhacos e covardes. Ainda bem que nem todos foram convencidos pela mídia, pois senão hoje nós estaríamos nas mãos dessa corja sem escrúpulos e sem ética, capazes de agir pelas costas, com mentiras e engodos.
Decepção
Bem, decepção a gente sempre tem, uma vez ou outra na vida.
Porém, fica estranho, no entanto, quando a gente tem decepções todos os dias.
Aí a gente pensa: alguma coisa está errada. E está mesmo. A imprensa brasileira
precisa de reforma e de sangue novo. Nos últimos anos, tem aparecido toda uma
gama de jornalistas com um tipo de pensamento que lembra o pensamento de
baratas ou de galinhas. Eles não conseguem pensar além do próprio nariz; não
conseguem enxergar um pouco mais adiante e teimam em fixar seus comentários em
um bordão sempre contra a esquerda, qualquer que ela seja. Se é de esquerda ou
próximo dela, então deve ser criticado. São pessoas conservadoras que não
hesitam em usar a mídia em favor de suas idéias próprias como se elas fossem
verdades absolutas. Difundem idéias de sua subjetividade (o que um direito de
cada pessoa) mas não as divulgam como opinião, mas como se verdade fossem.
Fazer isso é criminoso, senão legalmente, pelo menos moral e eticamente. São
jornalistas não apenas nanicos, mas anões morais.
É o caso, por exemplo, de Augusto Nunes, apresentador do
programa Roda Viva, da TV Cultura. Um jornalista com 42 anos de experiência e
que tem a capacidade de dar o vexame que deu por ocasião da apresentação da
entrevista com o especialista em América Latina, Peter Hakin. Num dado momento
do programa, o senhor Augusto perguntou ao entrevistado como a corrupção no
Brasil estaria afetando a política nacional, em comparação com os outros países
da América Latina. O entrevistado então disse que ele não estava assustado com
a corrupção, que para ele sempre fora um grave problema não só aqui mas na região.
E Peter Hakin perguntou se o jornalista sabia qual era o lugar que o Brasil
ocupava no ranking da corrupção na América Latina. O Augusto não sabia e ficou
meio pasmo quando Peter disse que o Brasil era o quarto colocado e apressou-se
em dizer que esse ranking precisava ser atualizado. Ou seja, para ele (Augusto)
o Brasil é o país mais corrupto do mundo e ninguém pode contestar essa sua
verdade “interior”, mas que ele divulga aos quatro ventos. Para terminar o
programa, usando de sua prerrogativa de apresentador, usou os minutos finais
para instilar um pouco de veneno na figura de Lula, contando uma anedota
desagradável e sem nenhum sentido para o programa. É ou não é para ficar
decepcionado.
Pobre país, dominado por uma imprensa que não tem neurônios suficientes
para entender o contexto conjuntural. Não é à toa que Augusto é cria da Veja.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Volver!
Estou de volta. Não que isso signifique alguma coisa muito importante. Não. São ciscos o que se ajunta aqui. Coisas que passariam desapercebidas caso alguém não quisesse perder tempo prestando atenção em cantos esquecidos, desprezados pelas coisas importantes. Ciscos. Estes que o vento faz correr nos cantos, nas beiradas onde apenas andorinhas, de vez em quando, depositam alguma pena, em meio às penas que povoam a minha existência.
Era tarde. Na rua, barulho de motores de ônibus, carros, motos, aviões. Cães latem, parece, furiosos. O vento balança a cortina. Alguns pássaros passam pela janela, cantando. Na casa vizinha à minha, há um passarinho que canta o dia todo. Um canto cativo, de doer. A luz desmaia devagar, lambendo as fachadas dos prédios. O céu azul já começa a ficar pálido. A noite se aproxima. Meu coração vai ficando cada vez menor. Espero os sussurros da escuridão. Ela não me intimida. Sempre gostei da noite. Mas é na noite que moram os carácteres duais. Aqueles que dizem sim e fazem não. Aqueles que temem a luz. Gosto da noite porque ela traz quietude e serenidade. Na noite se pode descansar. É claro que há perigos à espreita. Há sempre olhos famintos de engodo e de malícia ali onde a sombra impera. Mas a noite tem os seus segredos benditos.
Não há luz sem sombra. Não há longe sem perto. Nem verdade sem mentira. A noite não é necessária para quem quer engendrar o mal. Este é auto-suficiente. A luz faz parte de sua obra. Não há mal sem luz.
Lá para o norte está o gelo. La para o sul está o fogo. A leste, o mar. A oeste, o verde. Vivo a soluçar!
Estou de volta. Não que isso signifique alguma coisa muito importante. Não. São ciscos o que se ajunta aqui. Coisas que passariam desapercebidas caso alguém não quisesse perder tempo prestando atenção em cantos esquecidos, desprezados pelas coisas importantes. Ciscos. Estes que o vento faz correr nos cantos, nas beiradas onde apenas andorinhas, de vez em quando, depositam alguma pena, em meio às penas que povoam a minha existência.
Era tarde. Na rua, barulho de motores de ônibus, carros, motos, aviões. Cães latem, parece, furiosos. O vento balança a cortina. Alguns pássaros passam pela janela, cantando. Na casa vizinha à minha, há um passarinho que canta o dia todo. Um canto cativo, de doer. A luz desmaia devagar, lambendo as fachadas dos prédios. O céu azul já começa a ficar pálido. A noite se aproxima. Meu coração vai ficando cada vez menor. Espero os sussurros da escuridão. Ela não me intimida. Sempre gostei da noite. Mas é na noite que moram os carácteres duais. Aqueles que dizem sim e fazem não. Aqueles que temem a luz. Gosto da noite porque ela traz quietude e serenidade. Na noite se pode descansar. É claro que há perigos à espreita. Há sempre olhos famintos de engodo e de malícia ali onde a sombra impera. Mas a noite tem os seus segredos benditos.
Não há luz sem sombra. Não há longe sem perto. Nem verdade sem mentira. A noite não é necessária para quem quer engendrar o mal. Este é auto-suficiente. A luz faz parte de sua obra. Não há mal sem luz.
Lá para o norte está o gelo. La para o sul está o fogo. A leste, o mar. A oeste, o verde. Vivo a soluçar!
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Pressupostos............
James Rachels, um filósofo
norte-americano, defende o conceito de “pressuposto dominante”, como operante
na conduta dos homens. Rachels conta uma experiência feita pela equipe do
doutor Dr. David Rosenham, professor de psicologia e direito na Universidade de
Stanford. A equipe de Rosenham conseguiu fazer entrar em um hospital psiquiátrico
um grupo de investigadores, todos em condições normais de saúde, mas passando
por pacientes com problemas mentais. O grupo foi admitido e cada qual recebeu
uma hipótese diagnóstica. Os indivíduos do grupo comportaram-se normalmente no
hospital, sem que nenhum deles tentassem fingir um estado de loucura. O
resultado dessa experiência foi que os médicos do hospital jamais desconfiaram
que aqueles indivíduos não eram doentes mentais. Pelo contrário, todo o
comportamento dos indivíduos do grupo era sempre interpretado como comprobatório
do diagnóstico de cada um. O que pode ser deduzido da experiência, de acordo
com Rachels, é que uma vez estabelecido o “pressuposto dominante”, o
comportamento dos indivíduos, fosse ele qual fosse, não faria mais diferença. O
pressuposto dominante funciona como um farol que direciona a percepção. A
interpretação dos fatos se dá com base na hipótese determinada pelo pressuposto
dominante.
O que ocorreu com o julgamento do
chamado mensalão foi exatamente uma manifestação da aplicação de um pressuposto
dominante, estabelecido pela mídia e aceita em sua totalidade pelos juízes do
STF, ávidos por notoriedade e seduzidos pelo brilho dos holofotes. O STF vinha
há muito sofrendo com as críticas de que ninguém ali era condenado. De repente,
o STF viu na aliança com uma certa mídia – um grupo seleto de grandes famílias
que dominam o mercado de comunicação no Brasil – uma oportunidade de modificar
a sua imagem perante a opinião pública. A oportunidade se ofereceu com um dom
divino, no momento em que se tornou possível investir contra um partido de
esquerda que estava fazendo sucesso como primeiro governo na historia do país
que deixou a retórica e, de fato, voltou suas atenções e investimentos para as
camadas mais pobres do país. Golpear esse partido era preciso. Eles queriam
pegar o Lula, mas covardes como sempre, tiveram medo de sua popularidade. Como
compensação pegaram o PT. E o pegaram pela imposição de um pressuposto dominante
de que houve um determinado crime que precisava ser punido. Vejam bem: se houve
uma prática ilícita, ela deveria ser investigada, os dados levantados e
aplicada as determinações legais da estrutura jurídica do país. O que houve foi
uma condenação prévia e o estabelecimento da prática de ilícitos também por
pressuposição, não dando aos réus a menor possibilidade de estabelecer o
contraditório.
O STF passou de tribunal que não
condena ninguém, para tribunal de exceção, que condena quem for da esquerda. Sofrível
esse país!
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Pena, que pena...
Direitos humanos no Brasil nunca foram percebidos de maneira adequada. A população sempre considerou direitos humanos como defesa de crimes e de bandidos. Isto é uma herança da nossa miséria cultural, de um sistema de educação que tende para o treinamento e não para a formação humana do cidadão e das desigualdades sociais, que geram deformações de toda ordem na sociedade. Uma prova do desprezo pelos direitos humanos até por instituições consagradas à defesa do direito é a sentença dada ao réu do caso Eloá. Um julgamento viciado, preconceituoso e baseado em dados artificiais, descabidos e num rigor desmedido. Lindemberg está pagando pelo histórico de impunidade que grassa nesse país, de uma forma deformada e sem cabimento. A acusação do caso Lindemberg apresentou a tese de que o réu tinha a intenção de matar a namorada desde o início dos eventos que culminaram em sua morte. Sabe-se lá de onde essa promotora tirou essa tese, pois se ele tonha a intenção tão firme assim de matar a namorada porque ele não o fez na hora que chegou ao apartamento? E porque não o fez depois, pois o que não faltou a ele naqueles dias foram oportunidades para tanto. Vejamos o caso do jornalista Pimenta, que também matou a namorada. Ele, o Pimenta, de posse de uma arma, procurou a namorada e disparou contra ela, sem titubear. Isso é intenção de matar. Ele não conversou, não procurou uma alternativa. Disparou logo. Lindemberg não agiu assim e, portanto, a tese de que ele tinha intenção de matar é fantasiosa, artificial e desenvolvida com o propósito de prejudicar o réu. A promotora, no caso, parece ter ódio do réu, pois faz questão que ele fique preso por, ao menos, 30 anos.
Há outros pontos no julgamento que revelam um ódio incontido contra o réu, o qual, claro, merecia uma punição, mas uma punição justa, do tamanho do crime cometido. O rigor da juíza na sentença também revela uma preocupação exagerada em atender a supostos reclamos da sociedade expressos na mídia. Ora, se a mídia estivesse assim tão preocupada com a justiça, ela mostraria e gritaria mais por uma polícia menos violenta, por um rigor maior com os criminosos ricos, com criminosos promotores entre outras mazelas do país. No caso Lindemberg o que fica patente, mais uma vez, é que no Brasil direitos humanos são desprezados e que pobre sempre é condenado, mesmo antes do julgamento. No caso Lindemberg o julgamento foi supérfluo. Ele já estava condenado antes. O teatro apenas consagrou o que já estava decidido principalmente pela mídia, que agiu de forma leviana no caso e não pagou nada por isso.
Outro episódio lamentável no caso: a imperícia da polícia foi, ao que parece, foi promovida e não punida. Todo mundo que participou daquela enrascada está hoje muito bem colocado e não sofreu sequer uma advertência.
A perícia, naqueles casos nos quais há a participação da polícia, como no caso Lindemberg, deveria ser independente. A própria polícia fazendo perícia de si mesmo é muito suspeito. Quem atirou em Eloá? Pode ter sido Lindemberg. Mas pode também ter sido, o tido, dado por uma outra pessoa. Na confusão que foi, isso poderia perfeitamente ter acontecido. Uma perícia independente poria fim a essas dúvidas. Do contrário, elas persistem.
Por último, vale lembrar que avaliações subjetivas - como, por exemplo - eu não vi arrependimento nos olhos dele, ou, ele foi frio em seu depoimento - não deveriam ser levadas em conta, pois são por demais parciais. Avaliar intenções só é possível de forma indireta, pelo modo de agir da pessoa. Sem a ação, falar de intenções é arte de advinhação. Também é preciso desconfiar de depoimentos muito certos dados sobre uma hora de extrema tensão. Quem ouviu o que no auge da ação de invasão do apartamento?
Acho que Lindemberg merecia uma punição exemplar. Afinal, ele foi o responsável por iniciar os eventos em apreço. No entanto, o que ele recebeu do tribunal do juri foi um descalabro de sentença, que revela ódio e preconceito.
Há outros pontos no julgamento que revelam um ódio incontido contra o réu, o qual, claro, merecia uma punição, mas uma punição justa, do tamanho do crime cometido. O rigor da juíza na sentença também revela uma preocupação exagerada em atender a supostos reclamos da sociedade expressos na mídia. Ora, se a mídia estivesse assim tão preocupada com a justiça, ela mostraria e gritaria mais por uma polícia menos violenta, por um rigor maior com os criminosos ricos, com criminosos promotores entre outras mazelas do país. No caso Lindemberg o que fica patente, mais uma vez, é que no Brasil direitos humanos são desprezados e que pobre sempre é condenado, mesmo antes do julgamento. No caso Lindemberg o julgamento foi supérfluo. Ele já estava condenado antes. O teatro apenas consagrou o que já estava decidido principalmente pela mídia, que agiu de forma leviana no caso e não pagou nada por isso.
Outro episódio lamentável no caso: a imperícia da polícia foi, ao que parece, foi promovida e não punida. Todo mundo que participou daquela enrascada está hoje muito bem colocado e não sofreu sequer uma advertência.
A perícia, naqueles casos nos quais há a participação da polícia, como no caso Lindemberg, deveria ser independente. A própria polícia fazendo perícia de si mesmo é muito suspeito. Quem atirou em Eloá? Pode ter sido Lindemberg. Mas pode também ter sido, o tido, dado por uma outra pessoa. Na confusão que foi, isso poderia perfeitamente ter acontecido. Uma perícia independente poria fim a essas dúvidas. Do contrário, elas persistem.
Por último, vale lembrar que avaliações subjetivas - como, por exemplo - eu não vi arrependimento nos olhos dele, ou, ele foi frio em seu depoimento - não deveriam ser levadas em conta, pois são por demais parciais. Avaliar intenções só é possível de forma indireta, pelo modo de agir da pessoa. Sem a ação, falar de intenções é arte de advinhação. Também é preciso desconfiar de depoimentos muito certos dados sobre uma hora de extrema tensão. Quem ouviu o que no auge da ação de invasão do apartamento?
Acho que Lindemberg merecia uma punição exemplar. Afinal, ele foi o responsável por iniciar os eventos em apreço. No entanto, o que ele recebeu do tribunal do juri foi um descalabro de sentença, que revela ódio e preconceito.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Filhote
Já era quase noite. O céu ainda
refletia um pouco da luz solar. Mas no quintal de casa, cantos escuros
escondiam os detalhes das coisas. Vi algo se mexer, num canto, perto da
piscina. Será que vi mesmo algo se mexer ou foi apenas impressão? Fiquei
pensando e olhando para o canto. Tive a impressão, novamente, de que algo se
mexia ali. E se for um sapo? Entrei em casa em busca de uma lanterna. Voltei ao
quintal e joguei o foco luminoso da
lanterna no canto escuro perto da piscina. Para minha surpresa, alguma coisa
passou correndo ao meu lado. Na hora pensei que fosse um rato. Corri atrás do
vulto com a lanterna e vi de que se tratava: um filhote de passarinho. Bico e
asas. Logo vi que era filhote de pardal. Consegui pegá-lo. Ele esperneou com
força. Bem, ele está bem forte e está quentinho. Deve ter caído do ninho ainda
há pouco. E não deu outra: no muro, uns três metros à direita, vi um pardal
piando forte um pio de advertência. Parecia que estava ralhando comigo por
pegar o seu filhote. Hesitei um pouco, mas me rendi ao desespero daquela mãe –
mãe é mãe, afinal. Coloquei o filhote no chão e ele correu em direção ao muro,
onde estava, creio, a sua mãe. Ela continuou ralhando comigo. Resolvi me
afastar e entrei em casa. Fui até uma janela e de lá fiquei observando mãe e
filho.
A mãe pardal continuou no alto do
muro. Parou de piar forte e passou a um trinado mais suave. O filhote ficou no
chão, parado. Nisso, a mãe pardal voou para o telhado da casa. Então, lá deve
ser o ninho da família, pensei. Mas e agora? A mãe voou para o ninho, mas o
filhote não vai conseguir voar até lá. Se eu tivesse uma escada alta, poderia
devolver o fujão ao seu ninho. Mas a minha escada era pequena para esta tarefa.
Esperei mais um tempo e a mãe pardal não voltava e nem dava ar se sua graça. O
pequeno filhote continuava lá, ao pé do muro, no escuro.
Pensei logo em um gato, furtivo,
elegantemente maldoso, que de um salto abocanha aquela criaturinha que nem
sequer sabe ainda voar. Não, eu não posso deixar que isso aconteça! De jeito
nenhum! Um pouco antes, eu estava pensando na possibilidade de deixar a
Natureza seguir o seu curso. Quantas vezes isso deve ocorrer por dia: filhote
cai do ninho e vai direto para a boca do gato. Foi quando pensei na boca do
gato e resolvi contrariar a Natureza. Fui até o muro e peguei o filhote. Ele
esperneava como podia. Tentei não apertá-lo e ele foi se acalmando, se
acalmando até que ficou quieto. Procurei uma seringa perdida em uma gaveta da
cozinha e dei água para o filhote. Ele bebeu com avidez. Fiquei animado.
Misturei fubá com um pouco de água e com um palito fui colocando, aos poucos, a
mistura ao alcance do bico do filhote. Ele comeu um pouco, mas só um pouco e
depois se recusou a abrir o bico. Não insisti. Fui até o meu vizinho e no quintal
dele peguei umas palhas de milho e com elas improvisei um ninho. Minha mulher
arrumou uma sacola de papelão. No fundo desta coloquei o ninho e dentro dele o
filhote. Ele se aconchegou e pareceu até dormir.
Fiquei então descansado. No outro
dia cedo, assim que a mãe pardal começou a chamar, o filhote deu um jeito de
sair do ninho improvisado e foi se postar na porta da cozinha, piando também
bem alto. Assim que a porta foi aberta, ele saiu meio voando e meio correndo.
Foi ficar junto de sua mãe. Agora ele estava quase voando mesmo. Conseguia
fazer uns rasantes bem arriscados, mas foi bem sucedido. Durante o dia, o
filhote aparecia correndo no quintal e depois sumia um pouco. Sua mãe estava
sempre por perto. De vez em quando, eu ia até o quintal e o procurava. Às vezes
não o achava. Às vezes o achava e em lugares os mais diversos. Encontrei-o
debaixo do carro, na garagem. Depois estava perto da piscina.
Agora mesmo, já quase noite,
encontrei-o com sua mãe, no alto do muro. Era ele mesmo. Sua mãe voou. Ele ficou
ali, hesitando. Procurei não incomodá-los. Quando voltei para ver onde estava o
meu filhote, não o vi mais. A noite a tudo cobria com o seu véu escuro.
A Vida de cada dia
Ontem uma deusa, ou um deus. Hoje, pedaço orgânico de um corpo que foi um dia vivo. A vida é um mistério sem fim. Quando viva, a pessoa faz planos, projetos, participa de historias e de empreendimentos. Uma pessoa viva te faz rir, chorar, te dá prazer, pode lhe trazer dor.... Uma pessoa viva é uma potência que pode transformar um pouco de cisco em uma realização sublime ou fazer de uma solidão uma vida cheia de satisfação. No entanto, quando a pessoa parte deste mundo, fica apenas o silêncio. Um silêncio escuro e pesado, como um manto de chumbo. Um silêncio que incomoda e não nos deixa dormir, não nos deixa viver em paz. Um silêncio que grita o tempo todo que ela, a pessoa, se foi. Que nunca mais terei dela qualquer notícia. Ela desapareceu? Implodiu? Está viva e vive uma vida formidável? Ela está feliz?
Depois que a pessoa vai embora, só há hipóteses. Só especulação.
No escuro, fecho os olhos. Eles jamais deixaram de chorar, desde que você se foi.
Depois que a pessoa vai embora, só há hipóteses. Só especulação.
No escuro, fecho os olhos. Eles jamais deixaram de chorar, desde que você se foi.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Viagem Pedagiada
Tudo teria sido evitado se eu não tivesse saído de Belo Horizonte, na sexta-feira, dia 27, com destino a Guaxupé, em Minas Gerais.Entramos na Fernão Dias. Pista dupla, muito bem sinalizada e, afora algumas intervenções dos costumeiros psicopatas de estrada - aqueles que insistem em ultrapassar em lugares proibidos, como pontes e colar na sua traseira naqueles trechos em que o trânsito fica lento ou aquele caminhoneiro que joga o caminhão na sua frente para fazer uma ultrapassagem desnecessária, apenas por exibição - afora isso, então, a viagem começou muito bem. De sorte que até próximo a Perdões, não tivemos nenhum problema. Passamos por dois postos de pedágio e pagamos em cada um o valor de R$1,40. Nesse ponto da viagem, saímos da Fernão Dias e pegamos a 265 para Nepomuceno. Em seguida, entramos na 369 e depois na 491. Passamos por Campos Gerais, Alfenas, Areado, Muzambinho e Guaxupé. Assim que saímos da Fernão Dias, acabou a pista dupla e isso ficou assim até Guaxupé. Nesse trecho, de Nepomuceno até Guaxupé, não há pedágios e em alguns pedaços a estrada está bastante acabada, sem acostamento e com muito buracos.
Bem, em Guaxupé visitei alguns familiares e foi muito bom rever toda essa gente para mim muito querida. Depois, no domingo à tarde, fomos para Arcos, também em Minas. Saímos de Guaxupé pela 265 para Guaranésia, Monte Santo, São Sebastião do Paraíso, Itaú, Passos. Depois fomos para Furnas, Piumhi, Pains e Arcos. Essa estrada é pedagiada e passamos por três postos e, em cada um, deixamos R$4,00 como pagamento. Até agora estou tentando encontrar alguma coisa na estrada que justificasse essa cobrança exorbitante. A estrada não tem pista dupla; tem poucas terceira faixa, o que obriga o viajante a longos trechos atrás de caminhões lentos; não possui postos de serviços bons. Acho um absurdo que se cobre esse preço exorbitante só para que o viajante veja a placa "Rodovia Pedagiada".
Acho que é necessário que se faça um movimento cívico para exigir preços mais justos para pedágios como esses. Não é possível que o cidadão seja obrigado a pagar um alto preço por nada. Não há nada para se cobrar ali. Alguém está se locupletando às custas do povo em geral. Por que esse privilégio para uns poucos? Não, é preciso que as pessoas se mobilizem e se recusem a pagar essa exorbitância. Vamos iniciar um protesto contra esse desmando?
Bem, em Guaxupé visitei alguns familiares e foi muito bom rever toda essa gente para mim muito querida. Depois, no domingo à tarde, fomos para Arcos, também em Minas. Saímos de Guaxupé pela 265 para Guaranésia, Monte Santo, São Sebastião do Paraíso, Itaú, Passos. Depois fomos para Furnas, Piumhi, Pains e Arcos. Essa estrada é pedagiada e passamos por três postos e, em cada um, deixamos R$4,00 como pagamento. Até agora estou tentando encontrar alguma coisa na estrada que justificasse essa cobrança exorbitante. A estrada não tem pista dupla; tem poucas terceira faixa, o que obriga o viajante a longos trechos atrás de caminhões lentos; não possui postos de serviços bons. Acho um absurdo que se cobre esse preço exorbitante só para que o viajante veja a placa "Rodovia Pedagiada".
Acho que é necessário que se faça um movimento cívico para exigir preços mais justos para pedágios como esses. Não é possível que o cidadão seja obrigado a pagar um alto preço por nada. Não há nada para se cobrar ali. Alguém está se locupletando às custas do povo em geral. Por que esse privilégio para uns poucos? Não, é preciso que as pessoas se mobilizem e se recusem a pagar essa exorbitância. Vamos iniciar um protesto contra esse desmando?
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Pinheirinhos
Nossa! Pinheirinhos, para mim, lembra Natal. No entanto, na velha lógica do mundo - e do capital, do "só para nós" - mais uma vez as construtoras, os felizes empreiteiros, os homens de bem dos negócios, os endinheirados levam a melhor. É sempre assim. De repente, aparece um juiz, uma autoridade, qe inocentemente manda executar uma ordem funesta sob todos os títulos. A ação produz seus frutos indecentes e aí começa a correria. Não fui eu, não é da minha competência, eu não sabia e outras descabeladas desculpas. E quem sofre a dor de ficar na rua, perdeu alguma coisa, um pedaço de pele, até a vida.... Isso sobre sempre para quem? Parabéns, homens de bem dos negócios. Mais um bom negócio. E a vida continua.... Até a próxima .....
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Tempo
Quanto tempo a Natureza leva para
fazer um cãozinho? Pois é. Um carro, no entanto, leva menos de um minuto para
acabar com a vida de um, seja ele pequeno ou grande. Eu estava subindo a rua
Gávea, em Belo Horizonte, hoje, dia 14 de dezembro, por volta de 14 horas,
quando um carro, que estava à frente do meu, deu uma guinada para a esquerda e
até cantou pneu. Eu cheguei a ouvir o grito. Na hora nem me deu conta, mas em
seguida percebi o fato. Um cachorrinho preto, acho que um filhote, vira-lata,
estava estirado no meio da rua, e tremia o corpo todo. Não gritava, mas seus
olhos denunciavam a tragédia. Havia tristeza naqueles olhos. Estava morto. O
carro seguiu o seu caminho e foi possível ver que o motorista ria e apontava
para o cãozinho, como se fora para ele um troféu.
Uma vida foi ceifada em menos de
um minuto. Um indivíduo ria de prazer por ter tirado aquela vida inocente. Eu
assisti a cena. Qual o sentido disso?um
trofa para o clata, estava estirado no meio da rua, e tremia o corpo todo.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Há certas coisas que acontecem que quem vê finge que é cego. Outros não vêem porque não vêem nada mesmo. Outros ainda vêem e não podem dizer nada, pois para dizer é preciso ter provas e, às vezes, quem faz certas coisas, faz exatamente porque confia em certas proteções, como nome, antiguidade no cargo, uma certa situação e outras mil situações, sempre muito convenientes. Mas, não é possível que ninguém tenha visto, isto é, alguém que tem a responsabilidade de cuidar da coisa pública e da permanência do caráter republicano das instituições universitárias. Uma pós-graduação. Uma linha de pesquisa. De repente, ninguém que se candidate a essa linha consegue passar nas provas. Dentro do departamento, há uma campanha velada para acabar com a linha de pesquisa. Mas o movimento é velado. Talvez não possa confessar publicamente suas intenções. Por isso é velado. As vagas são oferecidas. Os candidatos aparecem. Mas nenhum passa. São barrados de forma conveniente, pois os concursos são feitos de modo a ser possível barrar quem os poderosos de plantão quiserem. Mas há a tia que favorece a sobrinha, orientando-a a fazer o concurso para uma outra linha de pesquisa. Há o professor que não oferece vagas para orientação. Há o processo que é viciado, mas que é repetido todos os anos, como se fosse algo sério. As pessoas se mobilizam, formam bancas, reúnem-se, corrigem provas, dão notas. Ao final, passam aqueles que foram escolhidos antes das provas, aqueles que são convenientes às políticas dos poderosos de plantão. Muitos desses poderosos não passam de preguiçosos que adoram passar as aulas para alunos/orientandos e vão passear durante o ano letivo. Na verdade, há de tudo, dá de tudo. Muita gente vê, mas são cegos. Outros são cegos, mas vêem. Mas tudo fica como está. As aulas continuam, e a pós-graduação permanece com nota alta no CNPq e na CAPES. Não há república, mas apenas os interesses baixos e paroquiais de uns poucos que se arvoram em poderosos de plantão. O ensino, bem o ensino....
sábado, 5 de novembro de 2011
Redes Sociais – Mitos e Verdades
As redes sociais têm sido
louvadas como uma revolução no relacionamento humano - um relacionamento virtual e que tem um
sabor insosso, pois sem contato físico – mas um relacionamento que abole
distâncias e muitos obstáculos. Também, as redes sociais prometem muito: desde
progressos no relacionamento humano até facilidades no relacionamento
profissional. Ocorre que muitas vezes as dificuldades de relacionamento na vida
comum são reproduzidas no relacionamento virtual. Há a dificuldade da língua; a
dificuldade da compreensão básica do mundo (muitas vezes a comunicação não se
estabelece porque um não consegue entender o outro, pois ambos têm pressupostos
completamente diferentes); há dificuldades de adaptação aos modelos de comunicação
e de modelos de subjetividade. Tanto é assim que as redes são usadas
principalmente como entretenimento passageiro e não para relacionamentos mais
profundos e duradouros, pois nunca sabemos ao certo o que significa para o
outro o “meu costume de fazer isso ou aquilo”. A preocupação com a privacidade
tem por isso aumentado. As pessoas estão preferindo não dizer muito de si.
De qualquer modo, as redes vieram
para ficar. Se, antigamente, as pessoas criavam oportunidades de relacionamento
andando em círculos em um jardim em forma de praça, sendo que os rapazes
andavam no sentido horário e as moças no sentido anti-horário, hoje em dia as
oportunidades são criadas em um clic virtual, no qual você pode conhecer
milhares de pessoas nas mais diferentes partes do mundo. Com essa amplitude, é
claro que a rede passa a servir não apenas para entretenimento, mas também para
fazer negócios, propaganda de produtos e fazer fofocas, entre muitas outras
coisas. As redes ampliam as possibilidades de relacionamentos. Isso é
verdadeiro. O que precisa ser perguntado é se essa forma de relacionamento
satisfaz humanamente, se ela deve ser incentivada como a melhor forma de
relacionamento humano, ou se é necessário questioná-la e procurar descobrir
problemas ou questões que precisam ou merecem ser pensadas. As redes sociais,
sem dúvida, promovem a aproximação das pessoas. Mas essa é uma forma de
aproximação apenas parcial, pois virtual. Se a rede servir para promover apenas
essa aproximação parcial, o que devemos esperar do relacionamento humano no
futuro?
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
A ONU está pedindo uma investigação sobre as circunstâncias da prisão e morte de Kaddafi nas mãos dos fanáticos que o perseguiam. Não consigo entender o por que do pedido. As imagens divulgadas sobre os maus tratos que o ditador assassinado sofreu são claras demais e não admitem dúvidas. Kaddafi foi preso, torturado e depois executado por um bando de fanáticos, bando que não obedece ninguém e sobre o qual o tal governo provisório não tem nenhum controle. O fim trágico do ditador deposto marca o inglório começo de um governo cheio de disputas e fanáticos. Tristes tempos estes! A barbárie sendo patrocinada por todos a favor de uns poucos que vão se locupletar de petrodólares e continuar distribuir armas e corrupção pelo mundo afora. Sai Kaddafi, assassinado. Quem vai entrar? Ganha um doce quem adivinhar!
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Barbárie!
O arremedo de governo provisório da Líbia mal consegue resolver se sepulta ou não o corpo do ditador assassinado por fanáticos que o perseguiam, com a ajuda da OTAN. Kaddafi foi derrubado do poder pela OTAN, com a ajuda quase supérflua de grupos de fanáticos que devem estar a soldo de alguma organização que não apareceu até agora e nem vai aparecer jamais. Parece surrealista a declaração de Obama de que a morte de Kaddafi é o princípio da democracia na Líbia. A não ser que os conceitos políticos estejam completamente mudados, não me parece que barbárie possa inaugurar o regime democrático. Kaddafi foi tratado como um cão raivoso pelos fanáticos que o perseguiam e são essas pessoas que estão armadas na Líbia para formar um novo governo. Esperar que eles se sentem à mesa para dialogar, civilizadamente, me parece um pouco esperançoso em demasia. Agora é o mais forte devorar o mais fraco e impor a sua supremacia e assim continuar o governo, aliás, como o coronel Kaddafi fazia. Só mudou o tipo de rato. Acredito que seria diferente se a prisão de Kaddafi não tivesse resultado em sua execução sumária e bárbara, como aconteceu. Um governo inaugurado na violência não construirá nada de novo. Apenas renovará a violência antiga. Uma coisa, no entanto, é certa. Os contratos milionários para a exploração do petróleo líbio por empresas ocidentais, que Kaddafi tanto atrapalhava, já devem estar prontos. É só aguardar para ver.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
ATENÇÃO
Não tenhamos ilusões! As elites políticas que dominam este país e que são extremamente corruptas vão tentar derrubar Dilma do governo. Ela tem se mostrado muito dura com os corruptos e está tentando mudar o estilo de fazer política: sem a barganha de votos por cargos, que deputados e senadores, despudoradamente, chamam de condições de governabilidade. Chega de engodo e enganações descabeladas. Se for necessário, vamos às ruas para que Dilma possa vencer a corrupção e colocar o Brasil num patamar político que transcenda a República das bananas.
Não tenhamos ilusões! Logo, logo vai começar a campanha para derrubar Dilma. Fiquemos atentos!!
Não tenhamos ilusões! Logo, logo vai começar a campanha para derrubar Dilma. Fiquemos atentos!!
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Casos sem honra.
A Pastoral da Terra está denunciando que um certo juiz, em Marabá, no Pará, estaria protegendo um grupo de suspeitos da morte de um casal de ativistas políticos, que ocorreu recentemente. Há também o caso de uma juíza no Mato Grosso do Sul que suspendeu uma operação da fiscalização do Ministério do Trabalho e da polícia federal de libertação de um grupo de pessoas que estavam sendo mantidos como escravos em uma propriedade.
Casos como esses denigrem a imagem do país como nação civilizada e mancham a honra do Estado. Será que não existe no Brasil instância judiciária superior que poderia sustar crimes como esses? Ou será que decisão de um juiz é algo sagrado, que ninguém pode modificar?
Ora, um juiz deve ser considerado inocente, como qualquer outro cidadão até prova em contrário. Mas, diante de certos abusos, a Justiça deveria intervir, pois não é preciso ser jurista para sentir o cheiro da corrupção em certos casos.
No Rio, o caso da morte do menino Juan põe a nu o quanto a polícia protege verdadeiros bandidos em sua composição. Uma pessoa com uma ficha como a de um dos envolvidos no caso citado não é um faltoso primário. Não é possível que ninguém soubesse desse comportamento impróprio desse indivíduo.
O problema é que quando se tolera uma impunidade mesmo que pouco significativa, aos poucos ele se torna algo por demais violento e incontrolável.
Será que ainda há lugar para honra nesse país?
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Civilização e barbárie
A coluna de Leonardo Sakamoto, do UOL, publica matéria sobre a ação de uma juíza do Distrito Federal e diz “A juíza Marli Lopes Nogueira, da 20ª Vara do Trabalho do Distrito Federal, atendeu a um pedido de liminar em mandado de segurança movido pela Infinity Agrícola suspendendo um resgate de trabalhadores em condição análoga à de escravo em uma fazenda de cana no município de Naviraí, Estado do Mato Grosso do Sul. O grupo móvel de fiscalização, composto por auditores do trabalho, procurador do trabalho e policiais federais, estavam retirando 817 pessoas – das quais 542 migrantes de Minas Gerais e Pernambuco e 275 indígenas de diversas etnias – por estarem submetidas a condições degradantes de serviço quando veio a surpreendente decisão da juíza”.
Não é surpreendente pois se trata de fato ocorrido no Brasil, onde os grandes sempre podem fazer alguma coisa em prol de si mesmos, ao arrepio da lei e da ordem.
Esse caso deveria ser corrigido por instâncias mais gabaritadas da Justiça e se houver algum ato ilícito em tudo isso, a punição deveria ser exemplar. Porém, no Brasil a barbárie vige enquanto a civilização espera por dias melhores. Acho que isso não tem conserto à vista. Teremos de penar por mais uns 200 anos na barbárie para só então entrar mos em outro patamar civilizatório.
No caso da juíza Marli o equívoco é tão claro e transparente que se fica a pensar em ação dolosa, ou então, o sentido comum das coisas não valem mais, isto é, quando falo água isto quer dizer fogo ou qualquer outro sentido que qualquer um queira dar.
Na verdade, se a Marli tem razão, todo o resto do mundo está louco; nenhum valor vige. Acho que a juíza faria melhor se instaurasse, a começar por Mato Grosso do Sul, a escravidão no país. Ela declararia sem efeito a Lei Áurea e aboliria o trabalho livre, digamos, para todas as pessoas com renda inferior a 3 salários mínimos. Essas pessoas seria declaradas “escravos naturais” e poderia ser exploradas por qualquer grande empresa.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
E la nave va....
A oposição tem um papel de grande importância no funcionamento da democracia liberal, modelo de democracia que tem tido algum êxito no mundo ocidental. Porém, o papel da oposição deve ser o de fiscalizar o funcionamento do executivo e suas ações, além, é claro, de buscar o aprimoramento das leis do país. A oposição precisa ser feita nesse sentido e não contra o Estado ou contra os interesses da população em geral. É fato que nas democracia atuais quase sempre o papel da oposição se confunde com a defesa dos interesses partidários da própria oposição. Isto é, os partidos de oposição colocam seus interesses domésticos antes dos interesses do bem comum do país. Esse problema é um dos defeitos da democracia liberal que tem se mostrado resistente a qualquer tipo de tratamento e tem prejudicado, em graus variados, os negócios políticos dos diversos países.
No Brasil, as coisas não poderiam ser diferentes. Por aqui também a oposição está perdida na busca da realização de seus interesses os mais miúdos, deixando os interesses do bem comum à deriva. À oposição não interessa que as coisas dêem certo no país, para a população, para o bem comum. Interessa, sobretudo, que os seus interesses partidários sejam atendidos.
Só isso pode explicar a obsessão de um Álvaro Dias em sua insana campanha contra o ex-senador Mercadante, no caso do suposto dossiê contra Serra. É claro que isso não envolve apenas Álvaro Dias, mas todo o PSDB e a oposição. A oposição alimenta todo um ressentimento contra o sucesso do governo Lula e quer, por todos os meios, inclusive os da mentira e manipulação de versões, prejudicar o governo, não se importando se essa postura de crítica incondicional prejudica a população ou o andamento de interesses da população.
De sorte que a oposição no Brasil atual não cumpre com a sua obrigação política e mais prejudica que ajuda. E isso é uma pena, pois muita coisa poderia estar sendo feita pelo país se existisse antes de tudo um espírito de compreensão real do que é interesse público e interesse particular e uma ação honesta no sentido de buscar o bem comum.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Um caso claro de injustiça contra a parte mais fraca.
O caso do abuso de poder contra uma ex-escrivã da Polícia paulista, a qual foi agarrada e teve suas roupas arrancadas, por suspeita de cobrança de propina, por policiais em uma delegacia de polícia clama aos céus como um abuso abominável. Constitui prática do mais baixo calão e merecia uma punição exemplar. Tanto se trata de um absurdo abuso de poder que os meliantes até gravaram as cenas, na certeza de que jamais seriam punidos. E para a consternação da parte da sociedade que ainda é capaz de se indignar com atos indignos e de maus profissionais – ou deveríamos chamar de amadores – parece que tudo vai ficar por isso mesmo. A Justiça de São Paulo decidiu não reabrir o caso alegando que não há fato novo no caso. Ora, meu Deus! O fato novo é que estavam escondendo o fato dos olhos do país e a solução do caso estava sendo levada para debaixo do tapete para tudo ficar do mesmo jeito. A divulgação do crime deveria bastar para a reabertura do caso e para o encaminhamento da punição dos culpados.
Ora. Agarrar uma pessoa qualquer dentro de uma delegacia, sob qualquer pretexto, e arrancar-lhe a roupa é um crime pois denota abuso de poder. Por se tratar de uma mulher, o abuso torna-se ainda mais covarde.
A Constituição brasileira proíbe a prática da tortura e, portanto, os praticantes dessa modalidade de crime, quando pegos com a mão na massa, precisam ser presos e julgados. É claro que a esses criminosos também deve ser assegurado amplo direito de defesa.
Se a ex-escrivã tivesse cometido algum crime, mesmo assim, não se justificaria o uso de tortura contra ela. Assim, a decisão judicial que não quis reabrir o caso está completamente equivocada e deve ser reformada, sob pena de a justiça paulista ficar desacreditada. Só desacreditada, não, mas também tornar-se suspeita de proteção a criminosos e, ainda, uma justiça sem nenhuma sensibilidade para com os pequenos. Uma justiça assim é apenas a vontade do mais forte e deixa de merecer o nome.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Argumentos
Engraçado o argumento de alguns dos ministros do STF, segundo o qual ninguém está acima da lei, e portanto, ninguém e nem nenhum ato de qualquer autoridade pode ser sequestrado da apreciação do judiciário. O argumento está correto. O mote do argumento era o de que a pertinência do ato do ex-presidente Lula de não extraditar Battisti deveria ser apreciado pelo Supremo, sem o que, tal ato ficaria acima da lei. Por que engraçado? Porque se validado todos os atos da presidência da República deveriam ser apreciados pelo Supremo. Então, se um governo de qualquer país se sentisse prejudicado por um ato da presidência da República ou se um cidadão sentisse o mesmo em relação ao Poder Executivo ele poderia ingressar no Supremo para se ressarcir do aventado prejuízo. Ora, nesse caso, seria melhor dispensar o Poder Executivo, o qual tornar-se-ia supérfluo. A improcedência do argumento se revela na celeuma que causa sem que traga nenhuma luz para o caso. É claro que a presidência da República não está acima da lei. Nem fica bem o Supremo desejar essa circunstância para si. Também soa ridículo a evocação de exemplos da rainha da Inglaterra, que tem de pedir licença para entrar em Londres, como exemplo de constitucionalidade. O Brasil fica no Hemisfério Sul e conversas aristocráticas ficam melhor na sua privacidade original. Trazida a público só revela o quanto certas pessoas vivem longe da realidade deste país.
Assinar:
Postagens (Atom)