quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Viagem Pedagiada

Tudo teria sido evitado se eu não tivesse saído de Belo Horizonte, na sexta-feira, dia 27, com destino a Guaxupé, em Minas Gerais.Entramos na Fernão Dias. Pista dupla, muito bem sinalizada e, afora algumas intervenções dos costumeiros psicopatas de estrada - aqueles que insistem em ultrapassar em lugares proibidos, como pontes e colar na sua traseira naqueles trechos em que o trânsito fica lento ou aquele caminhoneiro que joga o caminhão na sua frente para fazer uma ultrapassagem desnecessária, apenas por exibição - afora isso, então, a viagem começou muito bem. De sorte que até próximo a Perdões, não tivemos nenhum problema. Passamos por dois postos de pedágio e pagamos em cada um o valor de R$1,40. Nesse ponto da viagem, saímos da Fernão Dias e pegamos a 265 para Nepomuceno. Em seguida, entramos na 369 e depois na 491. Passamos por Campos Gerais, Alfenas, Areado, Muzambinho e Guaxupé. Assim que saímos da Fernão Dias, acabou a pista dupla e isso ficou assim até Guaxupé. Nesse trecho, de Nepomuceno até Guaxupé, não há pedágios e em alguns pedaços a estrada está bastante acabada, sem acostamento e com muito buracos.
Bem, em Guaxupé visitei alguns familiares e foi muito bom rever toda essa gente para mim muito querida. Depois, no domingo à tarde, fomos para Arcos, também em Minas. Saímos de Guaxupé pela 265 para Guaranésia, Monte Santo, São Sebastião do Paraíso, Itaú, Passos. Depois fomos para Furnas, Piumhi, Pains e Arcos. Essa estrada é pedagiada e passamos por três postos e, em cada um, deixamos R$4,00 como pagamento. Até agora estou tentando encontrar alguma coisa na estrada que justificasse essa cobrança exorbitante. A estrada não tem pista dupla; tem poucas terceira faixa, o que obriga o viajante a longos trechos atrás de caminhões lentos; não possui postos de serviços bons. Acho um absurdo que se cobre esse preço exorbitante só para que o viajante veja a placa "Rodovia Pedagiada".
Acho que é necessário que se faça um movimento cívico para exigir preços mais justos para pedágios como esses. Não é possível que o cidadão seja obrigado a pagar um alto preço por nada. Não há nada para se cobrar ali. Alguém está se locupletando às custas do povo em geral. Por que esse privilégio para uns poucos? Não, é preciso que as pessoas se mobilizem e se recusem a pagar essa exorbitância. Vamos iniciar um protesto contra esse desmando?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pinheirinhos

Nossa! Pinheirinhos, para mim, lembra Natal. No entanto, na velha lógica do mundo - e do capital, do "só para nós" - mais uma vez as construtoras, os felizes empreiteiros, os homens de bem dos negócios, os endinheirados levam a melhor. É sempre assim. De repente, aparece um juiz, uma autoridade, qe inocentemente manda executar uma ordem funesta sob todos os títulos. A ação produz seus frutos indecentes e aí começa a correria. Não fui eu, não é da minha competência, eu não sabia e outras descabeladas desculpas. E quem sofre a dor de ficar na rua, perdeu alguma coisa, um pedaço de pele, até a vida.... Isso sobre sempre para quem? Parabéns, homens de bem dos negócios. Mais um bom negócio. E a vida continua.... Até a próxima .....

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Tempo


Quanto tempo a Natureza leva para fazer um cãozinho? Pois é. Um carro, no entanto, leva menos de um minuto para acabar com a vida de um, seja ele pequeno ou grande. Eu estava subindo a rua Gávea, em Belo Horizonte, hoje, dia 14 de dezembro, por volta de 14 horas, quando um carro, que estava à frente do meu, deu uma guinada para a esquerda e até cantou pneu. Eu cheguei a ouvir o grito. Na hora nem me deu conta, mas em seguida percebi o fato. Um cachorrinho preto, acho que um filhote, vira-lata, estava estirado no meio da rua, e tremia o corpo todo. Não gritava, mas seus olhos denunciavam a tragédia. Havia tristeza naqueles olhos. Estava morto. O carro seguiu o seu caminho e foi possível ver que o motorista ria e apontava para o cãozinho, como se fora para ele um troféu.
Uma vida foi ceifada em menos de um minuto. Um indivíduo ria de prazer por ter tirado aquela vida inocente. Eu assisti a cena. Qual o sentido disso?um trofa para o clata, estava estirado no meio da rua, e tremia o corpo todo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Há certas coisas que acontecem que quem vê finge que é cego. Outros não vêem porque não vêem nada mesmo. Outros ainda vêem e não podem dizer nada, pois para dizer é preciso ter provas e, às vezes, quem faz certas coisas, faz exatamente porque confia em certas proteções, como nome, antiguidade no cargo, uma certa situação e outras mil situações, sempre muito convenientes. Mas, não é possível que ninguém tenha visto, isto é, alguém que tem a responsabilidade de cuidar da coisa pública e da permanência do caráter republicano das instituições universitárias. Uma pós-graduação. Uma linha de pesquisa. De repente, ninguém que se candidate a essa linha consegue passar nas provas. Dentro do departamento, há uma campanha velada para acabar com a linha de pesquisa. Mas o movimento é velado. Talvez não possa confessar publicamente suas intenções. Por isso é velado. As vagas são oferecidas. Os candidatos aparecem. Mas nenhum passa. São barrados de forma conveniente, pois os concursos são feitos de modo a ser possível barrar quem os poderosos de plantão quiserem. Mas há a tia que favorece a sobrinha, orientando-a a fazer o concurso para uma outra linha de pesquisa. Há o professor que não oferece vagas para orientação. Há o processo que é viciado, mas que é repetido todos os anos, como se fosse algo sério. As pessoas se mobilizam, formam bancas, reúnem-se, corrigem provas, dão notas. Ao final, passam aqueles que foram escolhidos antes das provas, aqueles que são convenientes às políticas dos poderosos de plantão. Muitos desses poderosos não passam de preguiçosos que adoram passar as aulas para alunos/orientandos e vão passear durante o ano letivo. Na verdade, há de tudo, dá de tudo. Muita gente vê, mas são cegos. Outros são cegos, mas vêem. Mas tudo fica como está. As aulas continuam, e a pós-graduação permanece com nota alta no CNPq e na CAPES. Não há república, mas apenas os interesses baixos e paroquiais de uns poucos que se arvoram em poderosos de plantão. O ensino, bem o ensino....

sábado, 5 de novembro de 2011


Redes Sociais – Mitos e Verdades

As redes sociais têm sido louvadas como uma revolução no relacionamento humano  - um relacionamento virtual e que tem um sabor insosso, pois sem contato físico – mas um relacionamento que abole distâncias e muitos obstáculos. Também, as redes sociais prometem muito: desde progressos no relacionamento humano até facilidades no relacionamento profissional. Ocorre que muitas vezes as dificuldades de relacionamento na vida comum são reproduzidas no relacionamento virtual. Há a dificuldade da língua; a dificuldade da compreensão básica do mundo (muitas vezes a comunicação não se estabelece porque um não consegue entender o outro, pois ambos têm pressupostos completamente diferentes); há dificuldades de adaptação aos modelos de comunicação e de modelos de subjetividade. Tanto é assim que as redes são usadas principalmente como entretenimento passageiro e não para relacionamentos mais profundos e duradouros, pois nunca sabemos ao certo o que significa para o outro o “meu costume de fazer isso ou aquilo”. A preocupação com a privacidade tem por isso aumentado. As pessoas estão preferindo não dizer muito de si.
De qualquer modo, as redes vieram para ficar. Se, antigamente, as pessoas criavam oportunidades de relacionamento andando em círculos em um jardim em forma de praça, sendo que os rapazes andavam no sentido horário e as moças no sentido anti-horário, hoje em dia as oportunidades são criadas em um clic virtual, no qual você pode conhecer milhares de pessoas nas mais diferentes partes do mundo. Com essa amplitude, é claro que a rede passa a servir não apenas para entretenimento, mas também para fazer negócios, propaganda de produtos e fazer fofocas, entre muitas outras coisas. As redes ampliam as possibilidades de relacionamentos. Isso é verdadeiro. O que precisa ser perguntado é se essa forma de relacionamento satisfaz humanamente, se ela deve ser incentivada como a melhor forma de relacionamento humano, ou se é necessário questioná-la e procurar descobrir problemas ou questões que precisam ou merecem ser pensadas. As redes sociais, sem dúvida, promovem a aproximação das pessoas. Mas essa é uma forma de aproximação apenas parcial, pois virtual. Se a rede servir para promover apenas essa aproximação parcial, o que devemos esperar do relacionamento humano no futuro?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A ONU está pedindo uma investigação sobre as circunstâncias da prisão e morte de Kaddafi nas mãos dos fanáticos que o perseguiam. Não consigo entender o por que do pedido. As imagens divulgadas sobre os maus tratos que o ditador assassinado sofreu são claras demais e não admitem dúvidas. Kaddafi foi preso, torturado e depois executado por um bando de fanáticos, bando que não obedece ninguém e sobre o qual o tal governo provisório não tem nenhum controle. O fim trágico do ditador deposto marca o inglório começo de um governo cheio de disputas e fanáticos. Tristes tempos estes! A barbárie sendo patrocinada por todos a favor de uns poucos que vão se locupletar de petrodólares e continuar distribuir armas e corrupção pelo mundo afora. Sai Kaddafi, assassinado. Quem vai entrar? Ganha um doce quem adivinhar!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Barbárie!

O arremedo de governo provisório da Líbia mal consegue resolver se sepulta ou não o corpo do ditador assassinado por fanáticos que o perseguiam, com a ajuda da OTAN. Kaddafi foi derrubado do poder pela OTAN, com a ajuda quase supérflua de grupos de fanáticos que devem estar a soldo de alguma organização que não apareceu até agora e nem vai aparecer jamais. Parece surrealista a declaração de Obama de que a morte de Kaddafi é o princípio da democracia na Líbia. A não ser que os conceitos políticos estejam completamente mudados, não me parece que barbárie possa inaugurar o regime democrático. Kaddafi foi tratado como um cão raivoso pelos fanáticos que o perseguiam e são essas pessoas que estão armadas na Líbia para formar um novo governo. Esperar que eles se sentem à mesa para dialogar, civilizadamente, me parece um pouco esperançoso em demasia. Agora é o mais forte devorar o mais fraco e impor a sua supremacia e assim continuar o governo, aliás, como o coronel Kaddafi fazia. Só mudou o tipo de rato. Acredito que seria diferente se a prisão de Kaddafi não tivesse resultado em sua execução sumária e bárbara, como aconteceu. Um governo inaugurado na violência não construirá nada de novo. Apenas renovará a violência antiga. Uma coisa, no entanto, é certa. Os contratos milionários para a exploração do petróleo líbio por empresas ocidentais, que Kaddafi tanto atrapalhava, já devem estar prontos. É só aguardar para ver.